Acho, que Luiz Gasparetto dispensa apresentações e vendo uns vídeos dele com alguns amigos, percebi o quanto as pessoas ficaram , umas tocadas e reflexivas e outras até revoltadas, mas o mais importante é que ele chega às pessoas de um modo ou de outro, ele mexe com conceitos e paradigmas. Ame ou odeie, mas para quem não viu, vale à pena ver este e outros vídeos dele.
domingo, 26 de maio de 2013
RELACIONAMENTOS SAUDÁVEIS
Relacionamentos Saudáveis
Ninguém consegue viver sem a harmonia do grupo social no qual se encontra. Animal gregário, o ser humano nutre-se da vibração e da presença de outro igual, que o estimula para avançar na busca da sua auto-realização.
O relacionamento social é de grande importância para desenvolver os valores que se encontram adormecidos nos refolhos do inconsciente, aguardando os estímulos que os fazem exteriorizar-se, e isso somente é possível, na convivência com outros indivíduos da mesma espécie.
O isolacionismo é sintoma de desajuste emocional,portanto de psicopatologia que necessita seja aplicada uma terapia competente.
Na convivência com o próximo, o ser humano lima as arestas interiores e ajusta-se ao grupo, aprendendo que a sua perfeita sintonia com os demais resulta em produção e aperfeiçoamento moral para todos. O seu crescimento é conquista geral, o seu fracasso é desastre coletivo. Nesse mister, portanto, descobre a beleza da harmonia, que resulta da perfeita identificação com os componentes do conjunto.
Quem duvide do valor da renúncia pessoal em favor do aperfeiçoamento do grupo social, observe, numa orquestra, qualquer instrumento que se destaque, por exibicionismo destoando da pauta musical, e teremos a tragédia do esforço de todos.
Assim, portanto, há uma necessidade ética, psicológica, moral, em favor do relacionamento entre as criaturas, particularmente quando este pode ser saudável. A sua proposta se faz mediante o intercâmbio fraternal, aspirações culturais, doações dignificadoras, que se convertem em esforço de construção de momentos enriquecedores.
Os estímulos humanos funcionam de acordo com os propósitos agasalhados, porque a mente, trabalhando os neurônios cerebrais, estimula a produção de enzimas próprias aos sentimentos de solidariedade ou às reações belicosas.
Assim, portanto, aspirar e manter idéias de teor elevado, constitui meio seguro de conseguir-se relacionamentos saudáveis.
Joanna de Ângelis
Este texto de Joanna de Ângelis realmente nos faz pensar o quanto devemos nos esforçar e o quanto é importante este esforço para que criemos e cultivemos relacionamentos saudáveis e vivamos dentro deste núcleo com um respeito que é construído no dia a dia, na renúncia e não na anulação, no diálogo , desde o relacionamento a dois , até os relacionamentos sociais, passando pela família e grupo de trabalho, dentre outros. Esforçarmo-nos, portanto para construção desta relação saudável com as pessoas , estar dispostos a fazer isto é um bom exercício para o nosso autoconhecimento e para o nosso amadurecimento, pois aprendemos a nos olhar dentro daquele núcleo, prestar mais atenção nas nossas e nas necessidades dos outros, a valorizar àquilo que o outro tem de bom e não só olhar para o lado negativo, a descobrir valores nos outros e nos descobrir também em potencialidades que desconhecíamos antes de colocá-las à prova, sempre lembrando que a relação ou as relações é uma via de mão dupla e que nós também estamos sendo olhados da mesma forma num esforço do outro ou dos outros nesta construção.
Suzana Campista
sábado, 25 de maio de 2013
UMA VITÓRIA DO MUNICÍPIO DO RJ NA LUTA PELOS ANIMAIS
VAMOS CONTINUAR LUTANDO E PEDINDO MAIS POLÍTICAS PÚBLICAS A FAVOR DOS ANIMAIS E DOS PROTETORES.
UMA VITÓRIA !!!!!!!!!!!
PREFIRO AS PESSOAS NÃO SANTAS COMO EU
Realmente prefiro as pessoas imperfeitas como eu, pois estas caminham ao meu lado. Não que não admire àquelas que realmente vão à frente, mas estas, se vão realmente e não só porque dizem ou acham que vão, é porque já conquistaram grandes virtudes e dentre elas a grandeza de ser humilde de alma , e não vivem querendo consertar ninguém. Sabe e respeita que cada um tem seu tempo para adquirir maturidade. Não quero dizer com isto que concorde e aprove erros de uns que agridem e desrespeitam e machucam , seja física, mental ou emocionalmente os outros, porque estas pessoas , além de serem pessoas que não aprenderam o amor, numa das suas expressões maiores que é o respeito, na verdade, estão é pedindo limites e este limite precisa ser dado.
O que não concordo é que quando uma pessoa faz uma coisa "errada" sobretudo divulgada pela mídia, outras se colocam na posição de julgadores porque não "cometem"aquele tipo de erro, mas cometem outros , às vezes piores e há uma explosão de ódio contra aquela pessoa e ao mesmo tempo estas que se arvoram em julgadores, não perceberem que este mesmo ódio está dentro delas também. O ódio cega de tal maneira que a pessoa não se enxerga e nem ouve o que está dizendo e nem da forma que está dizendo - com o mesmo ódio que levou o outro a cometer aquilo que está se julgando- Ódio é ódio e todo mundo tem. Somos sombra e luz, mas cada um vai expressar de uma maneira . O que precisamos é ter consciência disto e mante-lo sob controle.
Esta explosão para fora do ódio contido do julgador, em nome da justiça, é apenas uma válvula de escape; Uma desculpa, um mecanismo de fuga, daqueles de nós que prefere não olhar para si mesmo e resolver seus problemas pessoais e projeta essa raiva no campo das disputas, da supremacia do ego e se sente no direito de julgar o outro, sem levar nada em conta, inclusive o desconhecimento da vida, da história de vida daqueles a quem julgamos.
Diz Joanna de ângelis, que se formos investigar as origens sociais dos criminosos empedernidos , salvadas as exceções de natureza patológica e obsessivas -hereditariedade e comprometimento pelas obsessões - detectaremos lares infelizes, famílias desajustadas ou grupos perversos reunidos em simulacros familiares, vitimados pelo abuso e descaso de pessoas inconscientes ou pelos sistemas ainda mais insensíveis que culminam pela hediondez das leis que se apoiam.
É preciso que paremos para pensar e buscar uma forma de administrar os nossos conflitos internos mediante terapias especializadas e auxílio de grupos de sustentação e não confundir nossa religiosidade, ou melhor não mascarar as nossas imperfeições e a nossas necessidades com falsa santidade e deixar de nos outorgar o direito de explodir em ódio contra qualquer ofensor em nome de Deus ou dissimular este ódio em faslsa compreensão ditada pela pretensa superioridade e depois vestir branco, com a alma negra de medo é ódio e ir para marcha da paz distribuir rosas!
Quem aponta um dedo para o outro, aponta três contra si mesmo.
Suzana Campista
24 DE MAIO - SALVE SANTA SARA !
FOI ONTEM O DIA, MAS PARA MIM, SÃO TODOS OS DIAS.
ETERNA GRATIDÃO A SANTA SARA E AO POVO CIGANO DO ASTRAL COM SUA FORÇA DE AMOR, DE CURA, DE RESPEITO À NATUREZA, COM SUA LUZ!
ABENÇOA ESTA TERRA!
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sexta-feira, 24 de maio de 2013
CRIAÇÕES MENTAIS
O texto abaixo descrito, mais uma vez de forma clara, objetiva e brilhante por Robson Pinheiro no livro "Energia " à título de Apresentação , subítem 0.1, livro este ditado por Joseph Gleber, André Luiz e José Grosso, nos mostra com coerência, a origem das inspirações e criações mentais e a necessidade da vigilância dos nossos pensamentos e da capacidade que cada um tem de modificar sua vida e o quanto, que, igualmente, juntos, através da união dos pensamentos positivos e elevados, temos de mudar as coisas para melhor. Claro que estes pensamentos devem ser, por cada um de nós, realmente sentidos e acreditados profundamente para que se materializem no mundo e operem as transformações tão necessárias. Pensemos nisto e investiguemos mais.
Suzana Campista
CRIAÇÕES MENTAIS
“Segundo nos relatam as
inteligências extrafísicas, o planeta terra é um organismo vivo e pulsante,
interage com as Inteligências encarnadas e desencarnadas, as quais irradiam
pensamentos ininterruptamente . Esses pensamentos manifestam-se ora como ondas,
ora como raios, que partem da fonte geradora e produzem uma espécie de
associação, mais ou menos duradoura, com outras imagens mentais ou
formas-pensamento. A durabilidade dessa associação é proporcional à qualidade e
à intensidade da força que mantém coesos tais pensamentos afins.
Entendemos, a partir daí, que os
pensamentos de ordem superior, aos circularem em torno da atmosfera psíquica do
planeta, compõem um cinturão de correntes mentais que abastece as inteligências
encarnadas e desencarnadas que se sintonizam com os elementos dessa natureza. Assim
é que artistas, sensitivos, cientistas, médiuns e todos aqueles que mantêm uma
atividade mental superior, desenvolvendo seus raciocínios e buscando
inspiração para qualquer tipo de tarefa
com objetivos nobres,acabam por s sintonizar com correntes mentais de ordem
elevada. Pietro Ubaldi foi provavelmente quem melhor definiu essas associações mentais superiores,
denominado-as noúres . As
noúres refletem os pensamentos de todos os seres elevados, o conhecimento
universal, e constituem-se na maior fonte de inspiração superior para os
habitantes do planeta terra.
Processo análogo ocorre com os
pensamentos considerados inferiores.
Fundamentados em informações dos
espíritos e de diversos pesquisadores encarnados, sabemos da capacidade de
emissão da mente humana, que se define em termos qualitativos, por meio das
vibrações, ou em relação à sua frequência, que pode ser alta ou baixa. Por
outro lado, as ondas formadoras das correntes de pensamento, que circundam a
aura magnética dos seres humanos e do planeta, são tão mais fortes quanto mais
fortes e elevados forem os pensamentos e sentimentos que se mesclaram no ato
mental. Sendo assim, tanto a classificação ou a qualidade quanto a duração das
ondas mentais estão subordinadas aos sentimentos à elevação de intenções ou propósitos
da mente geradora. As correntes de pensamentos alcançam maior frequência
vibratória à medida que ficam impregnadas do desejo de ajudar, esclarecer,
progredir e amar.
Diante do exposto, fica patente
que o poder dos indivíduos que buscam o desenvolvimento espiritual e que
trabalham pelo bem, pelo amor e pelo progresso supera grandemente a condição
daquelas mentes enfermiças que ainda não despertaram para as noções de
melhoramento, renovação e aperfeiçoamento. Lembro-me de Ghandi quando afirmou
que: “Se um único homem chega a plenitude do amor, neutraliza o ódio de milhões”.
Desenvolvendo a reflexão do Mahatma, talvez possamos concluir que, se milhares
de indivíduos compreenderem que podem expressar nem que seja uma diminuta
parcela de amor, em forma de cooperação, solidariedade, honestidade, lealdade,
neutralizaremos o ódio daqueles que ainda permanecem ignorantes das leis da
vida.
Uma das coisas que determina
fortemente a elevação da frequência vibratória do pensamento é o amor
desinteressado. É claro que o contrário também é verdadeiro: o egoísmo, as
paixões aviltantes, a falta de sintonia com os elementos de progresso produzem
um rebaixamento das vibrações dessas correntes mentais. Elas passam a formar
uma espécie de egrégora , ou seja, um conjunto de formas pensamento que
gravitam muito próximo à esfera física. Aqueles seres que sintonizam com a
mágoa, a tristeza, a indiferença, o egoísmo e os interesses mesquinhos captam
dessa egrégora elementos mentais que abastecem esses pensamentos e sentimentos desorganizados e
desinteressantes para o progresso humano.
Dessa maneira, deduz-se quanto é
valiosa a reeducação dos impulsos da alma. Selecionar o alimento mental passa a
ser tão ou mais importante que escolher o alimento material. Conhecer-se para
detectar a fonte das emoções desequilibradas passa ser condição sine qua non para uma vida digna de
filhos de Deus, para uma existência feliz. Sentimentos e emoções de baixo teor,
como os descritos no parágrafo anterior, serão detectados pelo ser que busca espiritualizar-se , com a
máxima prontidão possível, a fim de que sejam compreendidos e transmutados.
Esse exercício possibilitará uma plantação de qualidade , com colheita de
resultados compensadores.”
quinta-feira, 23 de maio de 2013
A RELIGIÃO CÓSMICA
Este texto foi postado por um portal maravilhoso do qual faço parte, o PORTAL ARCO ÍRIS, criando por Fátima dos Anjos , mas pela qualidade do texto, o postei aqui para que aqueles que acessam este blog, tenham oportunidade de ler refletir à cerca da opinião de Einstein. Precisamos ver outros pontos de vista e pensar, sem necessariamente concordar.
Suzana Campista
O mesmo foi reproduzido do boletim eletrônico “O Teosofista”, de dezembro de 2009 e
faz parte da obra “Como Vejo o Mundo”, de Albert Einstein, Editora Nova Fronteira, RJ, 12ª Edição, 1981, 214 pp. Está nas pp. 19 a 24, sob os subtítulos “Religião e Ciência” e “A Religiosidade da Pesquisa”. Para maior clareza do texto, algumas palavras foram trocadas por sinônimos.
A Religião Cósmica
O Espírito Científico Propõe Uma Religiosidade Livre de Igrejas
Albert Einstein

Albert Einstein (1879-1955)
Todas as ações e todas as imaginações humanas têm em vista satisfazer as necessidades dos homens e trazer alívio às suas dores. Negar essa evidência é não compreender a vida do espírito e seu progresso. Porque experimentar e desejar são os impulsos primários do ser, antes mesmo de considerar a majestosa criação desejada.
Sendo assim, que sentimentos e condicionamentos levaram os homens a pensamentos religiosos, e os incitaram a crer, no sentido mais forte da palavra? Descubro logo que as raízes da idéia e da experiência religiosa são múltiplas. No homem primitivo, por exemplo, o temor suscita representações religiosas para atenuar a angústia da fome, o medo das feras, das doenças e da morte. Neste momento da história da vida, a compreensão das relações causais mostra-se limitada e o espírito humano tem de inventar seres mais ou menos à sua própria imagem. [1] Ele transfere para a vontade e o poder desses seres as experiências dolorosas e trágicas de seu destino. Ele acredita mesmo poder obter sentimentos propícios desses seres através da realização de ritos ou de sacrifícios. A memória das gerações passadas lhe faz crer no poder propiciatório do rito para alcançar as boas graças de seres que ele próprio criou.
A religião é vivida antes de tudo como angústia. Não é inventada, mas essencialmente estruturada pela casta sacerdotal, que cumpre o papel de intermediário entre seres temíveis e o povo, fundando assim a sua hegemonia. Com frequência o chefe, o monarca ou uma classe privilegiada, de acordo com os elementos de seu poder e para salvaguardar a soberania no mundo, se atribuem as funções sacerdotais. Ou então se estabelece uma comunidade de interesses entre a casta política dominante e a casta sacerdotal.
Os sentimentos sociais constituem a segunda causa dos fantasmas religiosos. Porque o pai, a mãe ou o chefe de imensos grupos humanos, todos enfim, são falíveis e mortais. Então a paixão pelo poder, pelo amor e pela forma externa impele a imaginar um conceito moral ou social de Deus. O Deus-Providência preside o destino, socorre, recompensa e castiga. Segundo a imaginação humana, esse Deus-Providência ama e favorece a tribo, a humanidade, a vida, consola na adversidade e no malogro, protege a alma dos mortos. É este o sentido da religião vivida de acordo com o conceito social ou moral de Deus. Nas Sagradas Escrituras do povo judeu, manifesta-se claramente a passagem de uma religião-angústia para uma religião-moral. As religiões de todos os povos civilizados, particularmente dos povos orientais, se manifestam como basicamente morais. O progresso de um grau ao outro constitui a vida dos povos. Por isto desconfiamos do preconceito que define as religiões primitivas como religiões de angústia e as religiões dos povos civilizados como morais. Todas as simbioses existem, mas a religião-moral predomina onde a vida social atinge um nível superior. Estes dois tipos de religião constroem uma idéia de Deus pela imaginação do homem.
Somente indivíduos particularmente profundos e comunidades particularmente sublimes se esforçam por ultrapassar esta experiência religiosa. Todos, no entanto, podem atingir a religião em um último grau, raramente acessível em sua pureza total. Dou a isto o nome de religiosidade cósmica, e não posso falar dela com facilidade, já que se trata de uma noção muito nova, e a ela não corresponde conceito algum de um Deus antropomórfico.
O ser experimenta o nada das aspirações e vontades humanas, e descobre a ordem e a perfeição, ali onde o mundo da natureza corresponde ao mundo do pensamento. A existência individual é vivida então como uma espécie de prisão, e o ser deseja vivenciar a totalidade do Ser como um conjunto perfeitamente inteligível. Notam-se exemplos dessa religião cósmica, nos primeiros momentos da sua evolução, em alguns salmos de Davi ou em alguns profetas. Em grau infinitamente mais elevado, o budismo organiza os dados do cosmos, que os maravilhosos textos de Schopenhauer nos ensinaram a decifrar. Ora, os gênios religiosos de todos os tempos se distinguiram por essa religiosidade diante do cosmos. Ela não tem dogmas nem um Deus concebido à imagem do homem; portanto nenhuma Igreja ensina a religião cósmica. Temos também a impressão de que os hereges de todos os tempos da história humana se nutriam com esta forma superior de religião. Contudo, seus contemporâneos muitas vezes os consideravam suspeitos de ateísmo, e às vezes, também, de santidade. Encarados deste ponto de vista, homens como Demócrito, Francisco de Assis, Spinoza se assemelham profundamente.
Como poderá transmitir-se de homem a homem esta religiosidade, uma vez que ela não pode chegar a nenhum conceito determinado de Deus, a nenhuma teologia? Para mim, o papel mais importante da arte e da ciência consiste em despertar e manter desperto o sentimento dela naqueles que estão abertos para isso. Estamos começando a conceber a relação entre a ciência e a religião de um modo totalmente diferente da concepção clássica. A interpretação histórica considera ciência e religião adversários irreconciliáveis, por uma razão fácil de ser percebida. Aquele que está convencido de que a lei causal rege todo acontecimento não pode absolutamente encarar a idéia de um ser que intervém no processo cósmico, e ao mesmo tempo refletir seriamente sobre a hipótese da causalidade. Não pode encontrar um lugar para um Deus-angústia, nem mesmo para uma religião social ou moral: de modo algum pode conceber um Deus que recompensa e castiga, já que o homem age segundo leis rigorosas internas e externas, que lhe proíbem projetar a responsabilidade sobre a hipótese-Deus, do mesmo modo que um objeto inanimado é irresponsável por seus movimentos. Por este motivo, a ciência foi acusada de prejudicar a moral. Coisa absolutamente injustificável. E como o comportamento moral do homem se fundamenta eficazmente sobre a simpatia ou os compromissos sociais, de modo algum implica uma base religiosa. A condição dos homens seria lastimável se tivessem de ser domados pelo medo do castigo ou pela esperança de uma recompensa depois da morte.
É compreensível, portanto, que as Igrejas tenham, em todos os tempos, combatido a Ciência e perseguido os seus adeptos. Mas eu afirmo com todo o vigor que a religião cósmica é o móvel mais poderoso e mais generoso da pesquisa científica. Só aquele que pode avaliar os gigantescos esforços e, antes de tudo, a paixão, sem os quais as criações intelectuais e científicas inovadoras não existiriam, é capaz de pesar a força do sentimento único que cria um trabalho totalmente desligado da vida prática. Que confiança profunda na inteligibilidade da arquitetura do mundo, e que vontade de compreender, nem que seja uma parcela minúscula da inteligência que desvenda o mundo, devia animar Kepler e Newton, para que tenham podido explicar os mecanismos da mecânica celeste, através de um trabalho solitário de muitos anos?
Aquele que só conhece a pesquisa científica por seus efeitos práticos vê depressa demais e incompletamente a mentalidade de homens que, rodeados de contemporâneos céticos, indicaram caminhos aos indivíduos que pensavam como eles. Ora, eles estão dispersos no tempo e no espaço. Só aquele que devota sua vida à mesma finalidade possui uma imaginação que permite compreender estes homens, e aquilo que os anima, que lhes estimula a força necessária para conservar seu ideal apesar de inúmeros fracassos. A religiosidade cósmica é pródiga em tais forças. Um contemporâneo declarava, não sem razão, que, em nossa época, instalada no materialismo, reconhece-se nos sábios escrupulosamente honestos os únicos espíritos profundamente religiosos.
A RELIGIOSIDADE DA PESQUISA
O espírito científico, fortemente armado com seu método, não existe sem a religiosidade cósmica. Ela se distingue da crença das multidões ingênuas que consideram Deus um Ser de quem se espera benevolência e do qual se teme o castigo – uma espécie de sentimento exaltado da mesma natureza que os laços do filho com o pai -, um ser com quem também estabelecem relações pessoais, por respeitosas que sejam.
Mas o sábio, bem consciente da lei de causalidade que determina qualquer acontecimento, decifra o futuro e o passado, que estão submetidos às mesmas regras de necessidade e determinismo. A moral não lhe cria problemas com os deuses, mas simplesmente com os homens.
Sua religiosidade consiste em espantar-se e extasiar-se diante da harmonia das leis da natureza, as quais revelam uma inteligência tão superior que todos os pensamentos dos homens e todo o seu engenho não podem desvendar, diante dela, a não ser o seu nada irrisório. Este sentimento mostra a regra dominante de sua vida, de sua coragem, na medida em que supera a servidão dos desejos egoístas. Indubitavelmente, este sentimento se compara àquele que animou os espíritos criadores religiosos de todos os tempos.
NOTA:
[1] Sobre o fato de Deus ter sido inventado pelos homens à sua própria imagem a semelhança, H. P. Blavatsky escreveu em “A Doutrina Secreta”, obra que parece ter sido detalhadamente estudada por Albert Einstein: “Em sua incomensurável presunção, e no orgulho e vaidade que lhe são inerentes, o homem criou o seu Deus pelas suas próprias mãos sacrílegas e com os materiais que encontrou em sua mísera substância cerebral, e o impôs ao gênero humano como uma revelação direta do ESPAÇO uno e não revelado.” (“A Doutrina Secreta”, Ed. Pensamento, SP, edição em seis volumes, ver volume I, p. 77.) (Nota do boletim “O Teosofista”).
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